Por Guilherme Kalel e Karoline Forrester
Do Orcon Press 01/08/2025
Estados do sul e sudeste do Brasil, anunciaram medidas para tentar minimizar os impactos para empresas após o tarifaço programado pelos Estados Unidos a produtos do Brasil.
Apesar de um decreto isentar alguns produtos, itens de essencial negócios como café e carne, ficaram de fora do pacote de isenções.
As tarifas para estes e outros produtos serão de 50% a partir de 7 de agosto, o que pode impactar e até inviabilizar as exportações de forma significativa.
O Brasil é um dos maiores exportadores para os EUA. Entre os itens mais enviados estão o suco de laranja, o petróleo, itens de aviões, isentos.
Além de aço e ferro, com tarifas de 10% e que devem passar a 15.
Outros produtos exportados são, além da carne e do café, mel, cana de açúcar, calçados, erva mate, madeira reflorestada, pescado, frutas, cerâmica entre outros, que não entraram na isenção e terão taxação de 40%. Isso junto as tarifas de 10% já aplicadas elevam para 50% o total de cobranças na exportação.
O custo para o norte-americano importar sobe consideravelmente e para muitas indústrias acaba inviável a exportação. Casos da carne e do café, por exemplo.
Enquanto empresas e o governo federal tentam negociar com o governo americano, os estados tentam socorrer ao menos temporariamente os setores.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas anunciou um crédito de R$ 400 milhões, subsidiados pelo governo paulista e com baixa taxa de juros.
150 empresas já demonstraram interesse em participar do programa e estão tendo documentação analisada.
O governo paulista liberou ainda, R$ 1,5 bilhões em recursos de ICMS arrecadados pelas empresas, para que possam fazer fluxo de caixa.
Cada empresa poderá receber até R$ 120 milhões do que pagaram de ICMS de volta, para que isso auxilie nesse momento.
No Rio Grande do Sul, o Governador Eduardo Leite liberou um programa de R$ 100 milhões em empréstimos a empresas.
Depois de São Paulo, o estado é o 2º mais afetado pelas tarifas dos EUA no Brasil.
Além disso o governo estuda também, um programa similar ao de SP, de ICMS, para empresas gaúchas, destaca o governador.
No Paraná, outro estado afetado, o governo já liberou linhas de créditos para empresas afetadas com as tarifas.
Também, isentou ICMS e deve fazer devoluções para reforço de fluxo de caixa.
No Ceará, o estado tenta um acordo com o governo federal, para conseguir comprar alimentos que seriam exportados para os Estados Unidos.
O que for comprado, seria distribuído para programas estaduais de alimentação a famílias carentes, e em merendas nas escolas e universidades. Hospitais estaduais também seriam contemplados com itens para alimentos de seus pacientes, destacou o governador.
Outros estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Sergipe, fizeram grupos de trabalho para avaliar impactos e como podem ajudar empresários locais.
O Brasil ainda aguarda novas rodadas de negociações com os Estados Unidos, na expectativa de adiar a implementação de tarifas ou minimizar os impactos.
Na mesa, uma das propostas em discussão passa por tentar convencer o governo Trump, isentar das tarifas também o café, a carne bovina e a cana de açúcar.
