Por Guilherme Kalel e Mariana Maritan
Do Orcon Press 26/08/2025
O Banco Master pode ver uma saída na novela aberta em marçoo de 2025, ao anunciar sua compra para o Banco de Brasília (BRB), e que levantou uma série de polêmicas sobre o negócio e a solidez do banco privado.
O Banco de Brasília segue interessado no negócio que estava inicialmente orçado em R$ 2 bilhões, mas que pode ao final, custar bem mais.
Para garantir a aprovação do Banco Central no negócio, o BRB garante que o dono do Master Daniel Vorcaro, não fará parte da nova gestão, na empresa a ser formada pela venda.
A nova marca, deve ficar responsável por ativos do Master, vendidos ao BRB, com uma carteira de R$ 23 bilhões.
O Banco de Brasília deve adquirir, 58% do negócio sendo que 42% restantes das ações ficariam com Daniel Vorcaro.
Mas ele não participaria ativamente da gestão do novo negócio, deixando toda a gestão para o BRB.
Não é só isso que deve ocorrer, para tentar impulsionar o BC aprovar a venda.
O BTG Pactual, que já comprou R$ 1,5 bilhões em ativos do próprio Vorcaro, pode voltar as negociações.
O banco teria interesse em adquirir os precatórios do banco e as dívidas que ainda não são precatórias mas que podem se tornar.
Esses ativos estariam sendo negociados com o BTG, para que o banco ficasse responsável por seus pagamentos, liberando recursos ao Master, nessa compra.
A J e F, também entraria no negócio. A empresa dos irmãos Batista, tem interesse em adquirir algumas empresas compradas pelo Master e que hoje, fazem parte dos ativos do banco.
Isso inclue uma seguradora e a Oncoclínicas, uma rede médica especializada em tratamentos oncológicos.
Neste caso, há uma negociação em curso no tocante ao valor que esse negócio deve ter, já que existem alguns dados discrepantes quanto ao valor da Oncoclínicas.
Outros dois sócios do banco Master, ficariam com negócios do banco em paralelo, nomeando-os e tendo a oportunidade de atuar sem qualquer interferência do Master.
A Instituição se transformou num conglomerado financeiro mas que não se sustenta.
Deste modo, se tudo isso seguir o desenho, apenas ativos sem interesse do mercado e cobertos pelo FGC, ficariam nas mãos de Daniel Vorcaro.
A marca Master deixaria de existir, e o banqueiro precisaria recomeçar seu processo de gestão, ou apenas manter esses ativos aguardando pagar seus investidores.
Há uma preocupação que na divisão do Master, como existem muitas empresas sem valor agregado e capacidade econômica, o banco possa entrar em liquidez.
Se isso acontecer, o FGC teria que ser acionado e cobrir os CDBs vendidos pelo Master durante a gestão Vorcaro.
Isso comprometeria de forma prejudicial, a capacidade do FGC, e o patrimônio de outras instituições que usam o mesmo fundo garantidor.
Por isso o Banco Central, fica tão reticente ao negócio até o momento. Internamente há conversas de que a negociação só pode ser aprovada, se houverem certeza de compensações que não atrapalhem ainda mais o sistema financeiro brasileiro.
Um outro detalhe importante a se salientar, é que o Master poderia por meio de Vorcaro, recorrer a empréstimos no FGC.
Seriam dados como garantias seus ativos pessoais, e o que ele conseguir com a venda do Master. Deste modo, poderiam ser acessados até R$ 8 bilhões do FGC, pagos a investidores.
Em forma de empréstimo, pode ser que não hajam prejuízos a Instituição Financeira.
O Banco Master pode entrar em investigação, o que se ocorrer, prejudicaria ainda mais a sua situação e a compra.
A Polícia Federal recebeu solicitações de deputados do PT, que pedem investigações na gestão de Daniel Vorcaro, dentro do banco.
Além de entender como o Master foi de um grande conglomerado a um emaranhado de problemas, a investigação visa mostrar a outros bancos, que não deveriam seguir as mesmas práticas que o Master adotou.
Há relatos no BC, de que outras Instituições tenham adotado a mesma estratégia e agora, estejam temerosas pelo resultado.
As estratégias passam por vender fundos de investimentos CDB, acima do pago pelo CDI, com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.
Para tentar viabilizar retornos, essas empresas assim como o Master, teriam investido os recursos captados na compra de outras empresas. Só que, muitas sem capacidade econômica de trazer retorno ao negócio.
Para analisstas consultados pela Reportagem, é uma bolha prestes a explodir, tendo o Master como principal pivô, mas não o único.
