Jornalista Guilherme Kalel

21 de setembro; Um dia para relembrar que nossas lutas são todos os dias

Por Guilherme Kalel: Jornalista e Editor

21/09/2025

O dia 21 de setembro é celebrado no Brasil, como Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Apesar de muito se falar em inclusão e acessibilidade quem vive isso na pele, no dia a dia, sabe bem que há ainda muito o que avançar.
Os direitos conquistados foram importantes e fundamentais para que pudéssemos chegar até aqui, mas ser deficiente especialmente no Brasil, é uma vigilância constante.
A todo o tempo algum governo ou governante, está atento a medidas que possam abrir brechas, e em vírgulas ou letras miúdas, quase sempre na calada da noite, mudar ou retirar direitos PCD.
Isso é gravíssimo principalmente se levar em conta que nosso país, tem mais de 14 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.
E tantas outras milhões com problemas de saúde, que se equiparam ou esperam que se equipare a ela. Caso por exemplo do Diabetes tipo 1.
Que deveria ter sido equiparada a deficiência mas que por vetos do governo Lula, não foi.

No Brasil temos mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual.
Mais de 650 mil dessas pessoas com deficiência visual total, ou seja que não enxergam nada.
30% dessas pessoas sofrem algum tipo de abuso familiar, por mais estranho e assustador que isso possa parecer, em pleno Século XXI. Mas o fato é que isso ainda existe.
Abusos econômicofinanceiro, físicos, sexuais, psicológicos. O fato é que existem aos milhares, deficientes visuais necessitando de apoio e oportunidades para de fato ter uma nova vida.
Infelizmente nem todas as entidades de classe do seguimento se preocupam com dar visibilidade a este e outros problemas essenciais para as pessoas com deficiência.
Muitas vezes o que assistimos é entidades e associações servirem de trampolim político para alguém, ou para se fazer política com aquele nome ou marca.
As pessoas do seguimento e isso pode englobar qualquer um deles, ficam desassistidas, sem o amparo que esperavam ter, sem orientação jurídica e social da forma correta.

Muitos deficientes visuais ainda estão em casa hoje, depois de perder a visão, porque desconhecem a possibilidade de se viver no mundo lá fora.
Outros estão presos pela família e não conseguem se libertar, porque não sabem que podem fazer isso por verem sempre suas capacidades minadas por aqueles que teoricamente os cuidam.
Mas leitores, deficientes são antes de mais nada seres humanos.
Seres humanos com coração, sonhos, desejos, deveres e obrigações.
Podem os cobrar executar tarefas, lealdade, trabalho, mas devem sempre oferecer o princípio fundamental, dignidade. A cada um daqueles que integram a este grupo.

Ser deficiente no Brasil é uma luta por dia. Lutamos por nossos direitos e pelos direitos de outros PCDs.
Lutamos para não ficarmos no esquecimento e para que não exista a inclusão por inclusão, apenas no papel.
A inclusão de fato, como tem que ser, a acessibilidade em todas as suas vertentes e não apenas uma rampa ou um piso tátil.

Inclusão são professores preparados em sala de aula, para lhe dar com o aluno deficiente.
Inclusão é reconhecer que nem todas as pessoas podem estar no ensino regular, ou que ainda que estejam, precisam de apoio de um centro de referência para sanar dificuldades, dúvidas e aprendizado.
Não é por um professor de apoio para tomar conta de 5, mas colocar 5 em um local que atenda suas necessidades.
Como entidades, escolas especiais e afins.
É entender que esses centros de ensino não são para segregar, mas sim porque são necessários, no desenvolvimento pessoal dessas pessoas. Precisamos deles.
É entender enquanto governo, que um notebook ou um tablet nas mãos de um deficiente visual, não é luxo, como disse certa vez um governante do Brasil.
É sim, necessidade e acessibilidade, para que amanhã aquele aluno possa ser um advogado, um juiz, uma pessoa de bem e com um bom emprego, o emprego que ele sonhar e quiser. Porque sim, deficientes podem sonhar. É necessário e preciso que sonhem.
E que assim, sejam ainda mais fortes ao lutar pelo que almejam, uma sociedade de fato inclusiva, justa e acessível.
Mais que palavras com atitudes.

Que neste 21 de setembro, os governantes de todas as suas esferas façam mais que publicar leis e fotos com projetos voltados ao PCD.
Possam fazer uma profunda reflexão de como está o Brasil hoje, e do que querem e queremos ao nosso futuro.
Que neste 21 de setembro, nós, pessoas com deficiência, possamos fazer nossas vozes serem ouvidas, onde quer que seja, para que todos possam compreender que não exigimos nada, além de nossos direitos.
Não estamos atrás de benefícios, não queremos viver pendurados em BPC, queremos nossa oportunidade de viver, ser incluídos, nosso fundamental direito de sonhar e de tornar estes sonhos uma realidade.

Nossas batalhas não são fáceis e a cada dia, enfrentamos novas.
Mas seguimos, sempre unidos, sem fronteiras, pois é assim que conquistaremos a vitória nesta grande guerra, por acessibilidade.
E nunca sozinhos, sempre com o apoio de pessoas que possam nos compreender, defender, sem capacitismos, com o apoio de nossa família e de nossos amigos.
Que não devem nos por num potinho e querer nos proteger de tudo e de todos.
Mas sim, que estejam ao nosso lado, nos apoiando e fazendo sempre ver, que sim, nós podemos.

Guilherme Rodrigues de Azevedo – Jornalista Guilherme Kalel.
MTB: 89344 / SP.

Diretor Responsável da Agencia Orcon Press.

Editor da Revista Expresso 365 e do RS Connect.

Presidente do Instituto Novorcon e da União Paulista de Assistência ao Diabetes (Unipad).

Consultor de Acessibilidade Digital.

E Escritor de Romances e Poesias.

E-mail: guilherme@orconpress.com.br