Amanda Heimann

Fraudes no INSS: Mendonça libera para prisão domiciliar, mulher de ex-procurador que recebeu R$ 5 milhões em propinas de entidades para descontos indevidos

Empresária Thaísa Jonasson é mãe de um bebê que estava com avó de 73 anos

Por Amanda Heimann

16/11/2025

O Ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, concedeu no sábado, 15, prisão domiciliar para a empresária Thaísa Jonasson, que foi detida com o marido, ex-procurador do INSS, na quinta-feira, 13, em mais uma fase da operação “Sem Desconto” da Polícia Federal.
Thaísa teria recebido R$ 5 milhões de entidades associativas como propina, em nome do marido, que facilitou descontos indevidos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social, o INSS.
A prisão determinada ocorreu junto a mais 6 detenções na quinta-feira, incluindo do ex-presidente da Autarquia, Alessandro Stefanutto.

A defesa de Thaísa Jonasson argumentou que ela era mãe de um bebê de 1 ano, ainda lactante, e que estava com a avó, de 73 anos de idade, na ausência dos pais.
Apesar do marido seguir preso, Thaísa conseguiu o direito de ficar em prisão domiciliar para que possa cuidar do filho.
Ela tem que usar tornozeleira eletrônica e se apresentar as autoridades sempre que chamada, para prestar esclarecimentos.
Thaísa não pode sair de sua casa, por estar em prisão domiciliar.

Ela não pode também manter contato com qualquer investigado da operação, exceto o marido.
Mas como ele está detido é pouco provável que eles consigam se falar, pela lógica.

Os desvios na Previdência Social, por meio de descontos em benefícios de forma indevida de aposentados e pensionistas, feitos por entidades associativas, ultrapassa os R$ 6,3 bilhões.
Até o momento, 3,7 milhões de pessoas já pediram devolução de valores para a Autarquia, em um acordo firmado entre o órgão, o governo federal e a Justiça.
Foram devolvidos R$ 2,4 bilhões, mas ainda há mais para se devolver.
8,5 milhões de pessoas tiveram descontos em seus benefícios dos quais pelo menos 4,8 milhões podem pedir o ressarcimento via acordo direto com o INSS, sem intermediação de terceiros ou do poder judiciário.
As devoluções que se encerrariam em 14 de novembro tiveram o prazo prorrogado até fevereiro de 2026, para dar mais tempo de adesões ao acordo serem feitas.