Frederico Barreto

Economistas do Focus projetam inflação a 4,46%: Será?

Por Frederico Barreto

18/11/2025

Economistas consultados pelo Banco Central para a elaboração do Boletim semanal Focus, onde obviamente infelizmente não sou um deles, aliviaram mais uma vez para o governo e o BC o retrato da inflação no país.
A previsão apresentada na Edição desta segunda-feira, é de um índice de 4,46%.
O número das projeções vem caindo semana pós semana nos últimos 2 meses, e chegou de 4 semanas de 4,7% para 4,46 agora.

Há muito para se entender no que está por trás desses números e o que isso representa de efetividade para o país.
Esses números são projeções que economistas fazem, mas são projeções que podem as vezes errar.
Já aconteceu antes e pode acontecer de novo e aqui não está a se falar sobre terrorismo econômico no país, é um fato consumado.

É importante entender antes de mais nada que se essas projeções se mostrarem reais ao final de 2025, a inflação ficaria abaixo do teto do centro da meta.
Mas afinal, o que é centro da meta, teto da meta, etc?

Inflação é o quanto os produtos, todos eles, que impactam diretamente no custo de vida das pessoas, estão custando naquele país.
Quanto mais altos os valores, quanto mais consumo de produtos temos, mais alta pode se desenvolver esse índice, chamado de IPCA. Índice de Preços ao Consumidor Amplo.
Amplo porque ele abrange praticamente tudo o que usamos no dia a dia, custos com contas de consumo como água, energia, gás, condomínios, compras no supermercado, etc.
Também pega por exemplo nossos gastos com vestuário, calçado, alimentação fora de casa, compras pela internet e em estabelecimentos físicos de qualquer produto que formos adquirir.
Os países que buscam controlar sua inflação, o custo de vida das pessoas, para atingir bons indicadores econômicos e alto crescimento, estabelecem uma meta todos os anos, para sua inflação.
Essa meta é dentro da realidade daquela economia, daquele país, e é perseguida por indicadores do Banco Central.

Diferentes medidas podem ser adotadas quando a inflação está fora dessa meta, crescendo muito e prejudicando o crescimento da economia nesse processo.
Nesse sentido, podemos ter alta na taxa básica de juros que no Brasil chamamos de Selic, e que está em 15%.
Essa taxa de juros elevada foi necessária de acordo com os diretores do BC, para que pudesse se conter o consumo das pessoas, a tomada de créditos e consequentemente a inflação.
Particularmente não gosto dessa alta na Selic, e longe de mim fazer defesa de governos A ou B.
Mas como economista posso ver bem, o que esses juros fazem com o crédito e quando alguém tem que tomar crédito, seja pela razão que for, isso impacta profundamente seus ganhos.
Taxas de juros elevadas são boas apenas para investimentos em renda que levam em conta a Selic para crescer.
O tema de nosso artigo hoje, ainda não é este então não irei me aprofundar.

A meta estabelecida para o Brasil é de uma inflação de 3%.
Esse seria o número ideal que o país deveria atingir de forma contínua, na diretriz adotada pelo BC, desde o ano passado.
Uma meta ousada já que o custo de vida Brasil é muitíssimo elevado e chegar os números nisso, é difícil.
Tivemos inflação de 10% no período da pandemia, de 6,5% de 6%, e no ano passado de 4,83%, com alguma divergência nesses últimos dados.
Agora chegar a 3, ainda parece um tanto quanto distante.
É por isso que existem tetos para as metas.
Se a inflação ficar até 4,5%, ela está considerada dentro dos padrões que o BC espera para o país.
Por isso a 4,46%, ela está na meta, mas abaixo do teto.
Seria bom que esses números se transformassem em realidade já que o custo IPCA, pesa muito no bolso das famílias.
Infelizmente não creio particularmente que isso possa ser a realidade.
Mas, algum remédio surtiu efeito nas altas da Selic ao longo de 2025 promovidas pelo Banco Central.
Calculei no começo do ano, nos 3 primeiros meses, uma inflação de 6%, quando o Focus batia 5,60.
Hoje os economistas que compõe o boletim já acreditam em 4,46, enquanto eu sou um pouco mais cético.
Os índices de novembro e dezembro, podem vir um pouco mais do que estávamos a esperar e há ainda que se aguardar esses dados.
Mas creio em uma inflação de 4,55 a 4,70%, nada nem muito acima nem muito abaixo disso.
Se a minha previsão estivesse certa, então teríamos uma inflação fora da meta de 4,5%.

Vamos aguardar e depois, no futuro próximo voltar a essa temática e ver quem tem razão.
Pode parecer que estou contra o BC, mas longe de mim isso. Quero mais que o Banco Central tenha sucesso nas suas ações. Que isso faça a economia se estabilizar e crescer.
Maior crescimento quer dizer mais emprego, mais dinheiro circulando, mais gente fora da linha da pobreza, um país mais justo em todos os sentidos.
Mas para isso, não podemos deixar iludir, é preciso ainda muito chão!

Frederico Barreto é economista e escreve para a Agencia Orcon Press e o Pauta On.
Analisando e explicando os assuntos complexos e trazendo-os ao entendimento do público de forma dinâmica e objetiva.