Por Mariana Rech
02/12/2025
O Presidente do Senado Davi Alcolumbre, tem protagonizado falas que indicam sua insatisfação com o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial depois da indicação do Presidente para quem ocupará o lugar de Luís Roberto Barroso, no Supremo Tribunal Federal.
Alcolumbre preferia que a indicação fosse por Rodrigo Pacheco, senador e com perfil técnico para assumir a vaga.
Lula por sua vez, preferiu indicar o aliado e amigo Jorge Messias, Advogado-Geral da União.
O fato é que com isso, gerou-se grande dor de cabeça interna na política, e somando a outros fatores, causou um rompimento pelo menos por hora, do senador com o governo.
Isso pode gerar pautas catastróficas para Lula, que não tem base sólida suficiente que o garanta governabilidade.
Lula patina e governa por toma, lá, dá, cá, desde sempre.
Alcolumbre era um importante aliado que sabe jogar bem esse jogo, e que apoiava o governo em troca de benefícios.
Seja ou não favorável a forma como Alcolumbre toca a sua política o fato é. Há uma grande insatisfação com o jeito Lula de governar, quer seja por partes da população, quer seja no Congresso.
Mas a única forma de mudar isso, é com o voto nas eleições de 2026.
Antes, o único jeito de minimizar impactos, é unindo a política entorno de mensagens claras ao governo.
É preciso que a política faça política, não demagogia, e que o STF pare de agir como um terceiro poder legislativo no Brasil.
É assim aliás que o governo Lula, tem governado nos últimos 2 anos. Quando perde uma proposta recorre ao STF que toma decisões sempre favoráveis a União, o que é no mínimo curioso.
A grande questão que há que se observar agora, é como o cenário político deve moldar-se daqui para frente.
E até quando Alcolumbre irá sustentar essa rusga com Lula.
O Presidente por sua vez, não quer dar o braço a torcer e está disposto a medir forças com o Presidente do Senado Federal.
Resta saber, qual dos dois terá mais influência no Congresso e demonstrará maior força de poder, para a crise atual.
Um dos recados claros que poderia ser passado ao governo, é na rejeição de Jorge Messias a vaga.
Embora ele tenha um perfil que muitos chamam de técnico, ele é amigo de Lula, ligado ao PT de forma histórica, e já foi flagrado em grampos da Lava Jato.
Tudo isso pode significar, um retrocesso com sua confirmação de indicação e é apenas um pouco dos muitos motivos pelos quais, ele pode ser rejeitado.
Lula poderia fazer birra e indicar alguém ainda mais ideológico para a vaga. Sabe-se já que ele não vai indicar Pacheco, para fazer a vontade de Alcolumbre.
Mas a questão é, dar o recado e não fazer a vontade. O Brasil não é de Lula e nem sempre o que ele quer, deve ser aceito pelo Congresso Nacional.
Mariana Rech é formada em Direito, Administração e Gestão Hospitalar.
Escreve as terças-feiras para a Agencia Orcon Press em sua Coluna Especial que leva o seu nome.
Analisa questões do cotidiano, da política, da economia e da vida das pessoas.
