Por Frederico Barreto
04/12/2025
Como sempre digo ao tratar de economia, não comemoremos resultados positivos demais antes de ver todo o contexto.
Há algumas semanas governo e Banco Central estavam a felicidade com a informação do controle da inflação. Ao que parece o índice deve ficar contido e menor que 4,5% neste ano, quando as previsões para a mediana eram de 5,60% no começo de 2025.
Reconheço que este resultado incrível foi fruto de um trabalho sério e coeso do BC que não se deixou influenciar por interesses governistas e fez o que era preciso, mesmo que isso tenha custado ao Brasil uma das mais altas taxas de juros do mundo, e a mais alta de toda a historia do país, ficando a 15%.
Ainda assim esse remédio amargo, deu resultados e conteve o avanço da inflação agora.
Por outro lado as elevadas taxas de juros, fizeram negócios desacelerarem no país, assim como a economia de um modo geral.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulga na quinta-feira, 4, dados que retratam bem isso.
Apesar da inflação mais contida a economia desacelerou. Impulsionada por diversos fatores não só juros e inflação, a taxa de crescimento do país foi de 0,1% em outubro.
O número era esperado em projeções do mercado, que calculava de 0,1 a 0,5% o crescimento do período, deixando-o no mínimo esperado.
Mas para o governo, o número não foi animador.
O governo esperava um crescimento bem maior, impulsionado por medidas que estão sendo adotadas para impactar no bolso do trabalhador brasileiro de forma positiva.
Também pelo fato do desemprego estar no menor patamar histórico, mas que nesse caso não ajuda.
As expectativas são de que, em dezembro, o ano se encerre com novas projeções econômicas e um crescimento menor, do que antes se esperava.
Há economistas que falam num crescimento total para os 12 meses do ano, de 2,1%.
Outros acreditam num crescimento levemente maior, a 2,15%.
Particularmente eu creio que este número não ultrapasse 2%, se chegarmos lá.
É preciso acompanhar com cautela sem previsões terroristas esse cenário, mas com os pés no chão e a certeza.
O Brasil não vai melhor na economia porque o mercado observa os movimentos do governo brasileiro, que investe mal, gasta muito e não tem efetividade naquilo que busca fazer.
Frederico Barreto é economista e escreve para a Agencia Orcon Press e o Pauta Regional.
Analisando e explicando os assuntos complexos e trazendo-os ao entendimento do público de forma dinâmica e objetiva.
